POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES QUE LEVAM AO DESENVOLVIMENTO DA OBESIDADE NA POPULAÇÃO DE BAIXA RENDA NA CIDADE DE BELÉM-PA

Juliana Pinheiro Cantanhede, Lucieli de Castro Elói, Silvia Leticia da Silva Carvalho, Rosa Costa Figueiredo, Carlos Henrique Prevital Fileni, Leandro Borelli de Camargo, Luiz Felipe Sílio, Klebson da Silva Almeida, Ricardo Pablo Passos, Bráulio Nascimento Lima, Guanis de Barros Vilela Junior, Jamilie Suelen dos Prazeres Campos

Resumo


A obesidade é caracterizada como um distúrbio do estado nutricional traduzido por um aumento do tecido adiposo e seu reflexo é o excesso de gordura resultante do balanço positivo de energia na relação ingestão/gasto calórico. Este artigo objetiva revisar na literatura científica as informações mais pertinentes sobre as possíveis complicações que levam ao desenvolvimento da obesidade na população de baixa renda, criando uma analogia com a cidade de Belém-PA. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica em livros, base de dados eletrônicos (Lilacs, Scielo, google acadêmico), sites de órgãos públicos (Sociedade Brasileira de Cardiologia, Ministério da Saúde) e Teses que abordassem o tema de estudo. O aumento da obesidade nas populações mais pobres tem sido alvo de questionamentos e reflexões, pois sempre se associa obesidade à abundância de alimentos, e pobreza à escassez de recursos. O aparente paradoxo entre obesidade e pobreza não encontra consenso com a realidade social brasileira, quando pesquisas evidenciam um aumento notável na incidência de sobrepeso e obesidade em populações socioeconômicas mais pobres. Logo, a presença da obesidade em pessoas com baixa renda ser mais frequente, pode ser explicada pela falta de orientação alimentar adequada, atividade física reduzida e pelo consumo de alimentos muito calóricos, como os industrializados contendo muita gordura, açúcar e condimentos. Neste contexto, a interdisciplinaridade tem papel fundamental para melhorar a qualidade de vida, com estímulo para uma alimentação adequada e saudável interligando com prática de exercício físico regularmente.

Palavras-chave


Obesidade; Baixa renda; Estilo de vida.

Referências


Domingues IARC. Obesidade, factores de risco cardiovascular e qualidade de vida em doentes esquizofrénicos institucionalizados no Centro Hospitalar Conde de Ferreira. 2011.

Cunha Savela MDCd, Piccinin A, editors. Prevalência, Causas e Consequências da Obesidade–Revisão de Literatura. VIII JORNACITEC-Jornada Científica e Tecnológica; 2019.

Melo AD, Delmondes SGS. A Atuação do Enfermeiro na Obesidade Infantil. Revista Brasileira Interdisciplinar de Saúde. 2019;1(3).

Debasis B, Harry G P. Obesity Epidemiology, Pathophysiology, and Prevention. CRC Press Taylor & Francis Group; 2019.

Carlucchi EMdS, Gouvêa JAG, Oliveira APd, Silva JDd, Cassiano ACM, Bennemann RM. Obesidade e sedentarismo: fatores de risco para doença cardiovascular. Comun ciênc saúde. 2013:375-84.

Nilson EAF, Andrade RdCS, Brito DAd, Oliveira MLd. Custos atribuíveis a obesidade, hipertensão e diabetes no Sistema Único de Saúde, Brasil, 2018. Revista Panamericana de Salud Pública. 2020;44:e32.

Dias I, Afonso RM, Gonçalves D, Lopes T, Pereira H, Esgalhado G, et al. Estudo sobre a relação entre sintomas psicopatológicos e IMC na adultez e velhice. Psicologia, Saúde & Doenças. 2020;21(1):198-204.

Santana TdS. Meio ambiente como determinante da obesidade e fator de risco para doenças cardiovasculares. 2014.

Ferrari FG. A economia comportamental da saúde: contribuições para a análise do problema da obesidade no Brasil e no mundo do século XXI. 2019.

Malta DC, Silva AGd, Tonaco LAB, Freitas MIdF, Velasquez-Melendez G. Tendência temporal da prevalência de obesidade mórbida na população adulta brasileira entre os anos de 2006 e 2017. Cadernos de Saúde Pública. 2019;35:e00223518.

Crispim MAC. Determinações da obesidade na pobreza: regência da acumulação do capital. 2010.

Torres HdG, Bichir RM, Carpim TP. Uma pobreza diferente? Mudanças no padrão de consumo da população de baixa renda. Novos estudos CEBRAP. 2006(74):17-22.

Brasil, IBGE. Renda média domiciliar per capita segundo Unidade da Federação - 2010 2013 [

Oliveira IKF, Monteiro NVDN, Vilar TM, Silva DJS, Lima CHR. Intervenções nutricionais em crianças obesas e desnutridas. Research, Society and Development. 2019;8(10):33.

Silva AdS, Santos RFd. Intervenção Nutricional em Crianças com Baixo Peso e Adultos com Obesidade Atendidos no Posto de Saude da Sede no Municipio de Isaias Coelho-Piauí.

Nascimento MdM, Rodrigues MdS. Estado nutricional de crianças e adolescentes residentes na região nordeste do Brasil. Revista de Medicina. 2020;99(2):182-8.

Brasil, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde 2014 [

Justo AM, Camargo BV, Bousfield ABS. Obesidade, representações e categorização social. Barbarói. 2020:164-88.

Brasil, Ministério da Saúde. Agência Nacional de Saúde Suplementar 2017 [

Chaves ECR, Júnior KdNT, Moraes OKC, Yokoyama ASA, Souza FGd, Ferreira RIS, et al. Avaliação dos perfis pressóricos, glicêmicos, lipêmicos, anêmicos e leucocitários de uma população atendida por projeto social na área metropolitana de Belém-PA. Revista Eletrônica Acervo Saúde. 2020;12(9):e4177-e.

Bezerra IN, Souza AdM, Pereira RA, Sichieri R. Consumo de alimentos fora do domicílio no Brasil. Revista de Saúde Pública. 2013;47:200s-11s.

Paiva NMNd, Costa J. A influência da tecnologia na infância: desenvolvimento ou ameaça. Psicologia pt. 2015;1:1-13.

Mendonça CP, Anjos LAd. Aspectos das práticas alimentares e da atividade física como determinantes do crescimento do sobrepeso/obesidade no Brasil. Cadernos de Saúde Pública. 2004;20(3):698-709.

Figueiredo Júnior AMd, Costa LNd, Santos IdCd, Silva CLTd, Azevedo BARd, Aguiar CC, et al. Prevalência de sobrepeso, obesidade e alterações de pressão arterial em crianças do ensino fundamental de uma escola privada em Belém-PA. Revista Eletrônica Acervo Saúde. 2019(35):e1691-e.

Sociedade Brasileira de Cardiologia. I Diretriz Brasileira Sobre Prevenção Cardiovascular. Arquivo Brasileiro de Cardiologia. 2013;101(6).

Martinez S. A nutrição e a alimentação como pilares dos programas de promoção da saúde e qualidade de vida nas organizações. Revista O mundo da Saúde. 2013;37(7):201-7.

Basílio MC, Martins BT, Silva MA. Nutrição aplicada e alimentação saudável: Editora Senac São Paulo; 2019.

Silva RAdOd, Ribeiro JLdOA, Santos MRd. A contribuição da educação infantil para a formação de bons hábitos alimentares na criança de 0 a 6 anos. Revista de Ciências Humanas-UNIPLAN. 2019;1(1):32-.

Silva JGd, Ferreira MdA. Alimentação e Saúde na Perspectiva de Adolescentes: Contribuições para a Promoção da Saúde. Texto & Contexto-Enfermagem. 2019;28.

KUREK M, Butzke C. Alimentação escolar saudável para educandos da educação infantil e ensino fundamental. Revista de Divulgação Técnica-Cientifica do ICPG. 2006;3(9):39-144.

Paiva JBd, Magalhães LM, Santos SMCd, Santos LAdS, Trad LAB. A confluência entre o “adequado” e o “saudável”: análise da instituição da noção de alimentação adequada e saudável nas políticas públicas do Brasil. Cadernos de Saúde Pública. 2019;35:e00250318.

Brasil, Ministério da Saúde. Alimentação escolar saudável para educandos da educação infantil e ensino fundamental: Secretaria de Atenção à Saúde; 2014 [

Kato HdA, Oliveira LdS, Sousa DNd. O almoço do Círio de Nossa Senhora de Nazaré em Belém do Pará: experiência cultural e gastronômica. Embrapa Pesca e Aquicultura-Artigo em periódico indexado (ALICE). 2020.

Beraldo F, Vaz I, Naves M. Nutrição, atividade física e obesidade em adultos: aspectos atuais e recomendações para prevenção e tratamento. Rev Med Minas Gerais. 2004;14(1):57-62.

Santos Nunes Bd, Gubert MB, Bortolini GA. As Recomendações Oficiais Sobre Amamentação e Alimentação Complementar são Acessíveis e Conhecidas Pelos Profissionais de Saúde Brasileiros? DEMETRA: Alimentação, Nutrição & Saúde. 2019;14:43327.

Gigante DP, Dias-da-Costa JS, Olinto MTA, Menezes AMB, Silvia M. Obesidade da população adulta de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil e associação com nível sócio-econômico. Cadernos de Saúde Pública. 2006;22:1873-9.

Campos LdA, Leite ÁJM, Almeida PCd. Nível socioeconômico e sua influência sobre a prevalência de sobrepeso e obesidade em escolares adolescentes do município de Fortaleza. Revista de Nutrição. 2006;19(5):531-8.

Barbosa JM, Cabral PC, Lira PICd, Florêncio TMdMT. Fatores socioeconômicos associados ao excesso de peso em população de baixa renda do Nordeste brasileiro. Archivos latinoamericanos de nutricion. 2009;59(1):22-9.

Velásquez-Meléndez G, Pimenta AM, Kac G. Epidemiologia do sobrepeso e da obesidade e seus fatores determinantes em Belo Horizonte (MG), Brasil: estudo transversal de base populacional. Revista Panamericana de Salud Publica. 2004;16:308-14.

Barros MSC, Tartaglia JC. A política de alimentação e nutrição no Brasil: breve histórico, avaliação e perspectivas. Alimentos e Nutrição Araraquara. 2009;14(1).

Bista LD, Moreira PVL. Decisões Alimentares de Beneficiárias do Programa Bolsa Família: a Renda é o Único Determinante do” Comer Saudável”? Rev bras ciênc saúde. 2020:91-104.

Botelho EVdS. Projeto de intervenção: ação para adultos obesos de baixa renda na atenção básica. 2017.

OBSERVAÇÃO: Os autores declaram não existir conflitos de interesse de qualquer natureza.


Texto completo: PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.