RELAÇÃO DOS DETERMINANTES PSICOSSOCIAIS COM A PREVALÊNCIA DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA

Júlio César Veiga Pena, Dayane Cereja Ferreira da Silva, Stephanie Araújo Chucre de Lima, Angélica Homobono Nobre

Resumo


Introdução: A violência obstétrica é caracterizada pela perda da autonomia pela parturiente em detrimento da apropriação do processo reprodutivo e do corpo feminino pelos profissionais da área da saúde. Além disso, mulheres pobres, negras, com baixa escolaridade, pouco colaborativas e sem acesso a assistência essencial de saúde como o pré-natal, estão mais expostas a essa violência. Objetivo: Analisar a relação dos aspectos biopsicossociais que permeiam a prevalência da violência obstétrica em Belém. Métodos: a pesquisa foi do tipo exploratório descritiva com uma abordagem quantitativa, realizada de forma presencial na instituição Centro de Saúde Escola do Marco e de forma virtual por meio da plataforma Google Forms com a utilização de questionários com perguntas pré-definidas pela equipe de caráter sociodemográfico e obstétrico. Resultado: A pesquisa contou com 60 participantes, entre 18 e 64 anos de idade. Entre estas, 61% tiveram seus partos realizados em maternidade pública, e 39% em maternidade particular. De modo geral, 69% das participantes sofreram alguma violência obstétrica, senda as mais frequentes o direito ao acompanhante negado (41,2%), episiotomia (31,4%), falta de informação (23,5%), manobra de Kristeller (17,6%) e peregrinação (15,7%). Ademais, o nível de escolaridade e a cor da pele das participantes teve relação direta com a prevalência da violência obstétrica. Conclusão: O presente estudo confirmou que há uma relação dos determinantes biopsicossociais na prevalência da violência obstétrica. Assim, é inquestionável a necessidade de uma maior atuação clínica no zelo e assistência às gestantes e puérperas, tal qual na elaboração participativa de planos de parto.


Palavras-chave


Autonomia pessoal; Violência contra a Mulher; Impacto Psicossocial; Parto Humanizado; Fisioterapia.

Referências


Jardim DMB, Modena CM. A violência obstétrica no cotidiano assistencial e suas características. Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2018; 26: e3069.

Sadler M, Santos MJDS, Berdún DR, Rojas GL, Skoko E, Gillen P, et al. Moving beyond disrespect and abuse: addressing the structural dimensions of obstetric violence. Reprod Health Matters. 2016; 24:47–55.

Costa T, Stotz EM, Grynszpan D, de Souza MCB. Naturalização e medicalização do corpo feminino: o controle social por meio da reprodução. Interface - Comunic., Saúde, Educ. 2006; 10(20).

Balogh G. Cultura cesarista faz sobrar vagas em casas de parto. Folha de São Paulo, São Paulo; 2013 [acesso 2019 junho 04]. Disponível em:

Tesser CD, Knobel R, Andrezzo HFA, Diniz SG. Violência obstétrica e prevenção quaternária: o que é e o que fazer. Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. 2015; 10 (35): 1- 12.

Leal MC, Pereira APE, Domingues RMSM, Filha MMT, Dias MAB, Pereira MN, Bastos MH, Gama SGN. Intervenções obstétricas durante o trabalho de parto e parto em mulheres brasileiras de risco habitual. Cad. saúde pública. 2014; 30(1): 17-31.

Souza KJ, Rattner D, Gubert MB. Institutional violence and quality of service in obstetrics are associated with postpartum depression. Rev Saude Publica. 2017; 51:69.

Marrero L, Brüggemann OM. Institutional violence during the parturition process in Brazil: integrative review. Rev Bras Enferm. 2018; 71(3): 1152-61.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher: princípios e diretrizes. Brasília: Ministério da Saúde; 2011 [acesso em 2019 julho 02]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_mulher_principios_diretrizes.pdf

Oliveira GC, Brito PC. Qual o orçamento para a saúde das mulheres? Centro feminista de Estudos e Assessoria; 2012 [acesso 2019 abril 18]. Disponível em:

Diniz SG, Salgado HO, Andrezzo HFA, de Carvalho PGC, Carvalho PCA, Aguiar CA, Denise Yoshie Niy1. Violência obstétrica como questão para a saúde pública no Brasil: origens, definições, tipologia, impactos sobre a saúde materna, e propostas para sua prevenção. Journal of Human Growth and Development, São Paulo. 2015; 25(3): 377-376.

Martins AC, Barros GM. Parirás na dor? Revisão integrativa da violência obstétrica em unidades públicas brasileiras. Rev. dor, São Paulo. 2016; 17 (3): 215-218. [acesso 2019 junho 04]. Disponível em:

Venturi G, Godinho T. Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado. São Paulo: Sesc/Fundação Perseu Abramo. 2013.

Winder MA. Depressão pós-parto: uma investigação acerca dos fatores associados. Curso de Enfermagem da Universidade de Santa Cruz do Sul, Santa Cruz do Sul; 2017 [acesso 2019 abril 19]. Disponível em:

Alencar ACS. O pré-natal psicológico como programa de prevenção do parto traumático. Universidade Católica de Brasília, Brasília; 2014.

Medeiros IA. Expectativas e grau de satisfação da grávida e puérpera com o tipo de parto. Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Medicina da Universidade da Beira Interior. Covilha; 2012.

Ciello C, Carvalho C, Kondo C, Delage D, Niy D, Werner L, Santos SK. Violência obstétrica – “Parirás com dor”. Dossiê elaborado pela Rede Parto do Princípio para a CPMI da violência contra as mulheres, 2012.

La Asamblea Nacional de la República Bolivariana de Venezuela. Ley Orgánica sobre el Derecho de las Mujeres a una Vida Libre de Violencia; 2007, 30.

Santiago DC, Souza KS. Violência obstétrica: uma análise das consequências. Revista científica da FASETE, Bahia; 2017 [acesso 2019 abril 17]. Disponível em:

Pimentel TA, Oliveira-Filho EC. Fatores que influenciam na escolha da via de parto cirúrgica: uma revisão bibliográfica; 2016.


Texto completo: PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.