ELETROMIOGRAFIA DOS MÚSCULOS ACESSÓRIOS DA VENTILAÇÃO DURANTE ELETROESTIMULAÇÃO DE PACIENTES DE UMA UTI

Elaine da Silva Abreu, Raphaely Cristiny Sanches Progênio, Everaldo Pinheiro da Mota Junior, Thayssa Costa de Oliveira, Victória Gualberto Deprá, João Sergio de Sousa Oliveira, Daniel da Costa Torres, Márcio Clementino de Souza Santos

Resumo


A permanência prolongada de pacientes em uma unidade de terapia intensiva acarreta em restrições motoras graves, além de agravamento do estado geral de saúde. O suporte de ventilação mecânica por longos períodos (+48hs) leva a comprometimento dos músculos respiratórios. O objetivo da pesquisa foi avaliar o comportamento eletromiográfico dos músculos acessórios da ventilação antes, durante e após a terapia de eletroestimulação do quadríceps de pacientes internados em uma unidade de terapia intensiva. Foi selecionado o Grupo Estimulação (n=6), (idade: 61,5 ± 11,7), internados na unidade de terapia intensiva, foram submetidos a uma única sessão de Estimulação Elétrica Neuromuscular dos músculos quadríceps. Foi captado a eletromiografia de superfície dos músculos esternocleidomastoideo e reto abdominal antes, durante e após a eletroestimulação. Como parâmetro foi verificado o Root Mean Square (RMS) da atividade elétricas dos músculos. A análise estatística foi feita pelo software Biostat 5.3. Os dados foram submetidos ao teste estatístico ANOVA para duas variáveis, com pós-teste de Post Hoc de Bonferroni para determinar o nível de significância. O índice de significância adotado neste estudo foi de p < 0,05. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significantes nos músculos analisados entre as análises antes, durante e após a eletroestimulação de quadríceps. Porém com tendência de aumento da atividade eletromiográfica do músculo esternocleidomastoideo e diminuição do reto abdominal ao término do protocolo. Dessa forma, concluímos que o protocolo de eletroestimulação de quadríceps, não apresentou diferença estatística significante entre os períodos de análise da eletromiografia dos músculos acessórios da ventilação.


Palavras-chave


Fisioterapia; Unidade de Terapia Intensiva; Estimulação Elétrica; Eletromiografia; Mobilização Precoce.

Referências


Brower RG. Consequences of bed rest. Crit Care Med. 2009; 37(10): 422-8. Disponível em: https://journals.lww.com/ccmjournal/Abstract/2009/10001/Consequences_of_bed_rest.19.aspx

Jerre GVS. Princípios e práticas de ventilação mecânica. 2. ed. São Paulo: Manole; 2014.

Schellekens WJM, Hees HWHV, Doorduin J, Roesthuis LH, Scheffer GJ, Hoeven JGV, et al. Strategies to optimize respiratory muscle function in ICU patients. Crit Care. 2016; 20(1): 103. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4835880/

Maffiuletti NA, Roig M, Kaatzanos E, Nanas S. Neuromuscular electrical stimulation for preventing skeletal-muscle weakness and wasting in critically ill patients: a systematic review. BMC Med. 2013; 11: 137. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3668245/

Miranda FEMH, Dias BCA, Macedo LB, Dias CMC. Eletroestimulação em doentes críticos: uma revisão sistemática. Rev Pesqui em Fisioter. 2013; 3(1): 79-91. Disponível em: https://www5.bahiana.edu.br/index.php/fisioterapia/article/viewFile/111/181

Puthucheary Z, Montgomery H, Moxham J, Harridge S, Hart N. Structure to function: muscle failure in critically ill patients. J Physiol. 2010; 588(23): 4641-8. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3010132/

Machado AS, Nunes RD, Rezende AAB. Intervenções fisioterapêuticas para mobilizar precocemente os pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva: estudo de revisão. Revista Amazônia: Science & Health. 2016; 4(2): 41-6. Disponível em: http://ojs.unirg.edu.br/index.php/2/article/view/1252/438

Genc A, Ozyurek S, Koca U, Gunerli A. Respiratory and hemodynamic responses to mobilization of critically ill obese patients. Cardiopulm Phys Ther J, 2012; 23(1): 14-8. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3286495/

Leditschke IA, Green M, Irvine J, Bisset B, Mitchell IA. What are the barriers to mobilizing intensive care patients?. Cardiopulm Phys Ther J. 2012; 23(1): 26-9. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3286497/

Martinez BP, Bispo AO, Duarte ACM, Neto MG. Declínio funcional em uma unidade de terapia intensiva (UTI). Revista Inspirar: Movimento & Saúde. 2013; 5(1); 1-5. Disponível em: https://www.inspirar.com.br/wp-content/uploads/2014/10/declinio-funcional-artigo-327.pdf

Pinheiro AR, Christofoletti G. Fisioterapia motora em pacientes internados na unidade de terapia intensiva: uma revisão sistemática. Rev Bras Ter Intensiva. 2012; 24(2): 188-96. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rbti/v24n2/16.pdf

Dall’ Acqua AM, Sachetti A, Santos LJ, Lemos FA, Bianchi T, Naue WS, et al. Use of neuromuscular electrical stimulation to preserve the thickness of abdominal and chest muscles of critically ill patients: a randomized clinical trial. J Rehabil Med. 2017; 49(1): 40-8. Disponível em: https://www.medicaljournals.se/jrm/content/abstract/10.2340/16501977-2168

Ferreira LL, Vanderlei LCM, Valenti VE. Neuromuscular electrical stimulation in critically ill patients in the intensivecare unit: a systematic review. Einstein (São Paulo). 2014; 12(3): 361–5. Disponivel em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4872952/

Routsi C, Gerovasili V, Vasileiadis I, Karatzanos E, Pitsolis T, Tripodaki E, et al. Electrical muscle stimulation prevents critical illness polyneuromyopathy: a randomized parallel intervention trial. Crit Care. 2010; 14(2): R74. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2887197/

Merletti R, Parker PJ. Electromyography: Physiology, Engineering, and Non-Invasive Applications. Hoboken: Wiley; 2004.

Hermens H, Freriks B, Disselhorst-klug C, Rau G. Development of recommendations for SEMG sensors and sensor placement procedures. J Electromyogr Kinesiol. 2000; 10(5): 361–74. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1050641100000274?via%3Dihub

Oliveria M. Avaliação eletromiográfica dos músculos trapézio, esternocleidomastoideo e supra-hioideos, em pacientes desdentados totais portadores de disfunção temporomandibular tratados com aparelhos oclusais planos. [Tese] São Paulo: Universidade Estadual de Campinas; 2011.

Huebner A, Faenger B, Schenk P, Scholle HC, Anders C. Alteration of Surface EMG amplitude levels of five major trunk muscles by defined electrode location displacement. J Electromyogr Kinesiol. 2015; 25(2): 214-23. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1050641114002454?via%3Dihub

Nuhr MJ, Pette D, Berger R, Quittan M, Crevenna R, Huelsman M, et al. Beneficial effects of chronic lowfrequency stimulation of thigh muscles in patients with advanced chronic heart failure. Eur Heart J 2004; 25(2): 136-43. Disponível em: https://academic.oup.com/eurheartj/article/25/2/136/461142

Sillen MJ, Janssen PP, Akkermans MA, Wouters EF, Spruit MA. Effects of neuromuscular electrical stimulation of muscles of ambulation in patients with chronic heart failure or COPD. A systematic review of the English-language literature. Chest. 2009; 136(1): 44-61. Disponível em: https://journal.chestnet.org/article/S0012-3692(09)60405-0/fulltext

Harrold ME, Salisbury LG, Webb SA, Allison GT. Early mobilisation in intensive care units in Australia and Scotland: a prospective, observational cohort study examining mobilisation practises and barriers. Crit Care. 2015; 19(1): 336. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4570617/

Hodgson CL, Capell E, Tipping CJ. Early mobilization of patients in intensive Care: Organization, communication and safety factors that influence translation into clinical practice. Crit Care. 2018; 22(1): 77. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29558969/

Angelopoulos E, Karatzanos E, Dimopoulos S, Mitsiou G, Stefanou C, Patsaki I, et al. Acute microcirculatory effects of médium frequency versus high frequency neuromuscular electrical stimulation in critically ill patients - a pilot study. Ann Intensive Care. 2013; 3: 39. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3878255/

Stiller K. Safety issues that should be considered when mobilizing critically ill patients. Crit Care Clin. 2007; 23(1): 35-53. Disponível em: https://www.criticalcare.theclinics.com/article/S0749-0704(06)00068-6/fulltext

Dantas JCN, Neves JS, Andrade PHC, Martinez BP, Anjos JM. Comportamento Das Variáveis Cardiorrespiratórias Durante Uso Do Cicloergômetro Ativo Na Unidade De Terapia Intensiva. Rev Pesqui em Fisioter. 2016; 6(3): 283-90. Disponível em: https://www5.bahiana.edu.br/index.php/fisioterapia/article/view/938

Medrinal C, Combret Y, Prieur G, Robledo QA, Bonnevie T, Gravier FE, et al. Comparison of exercise intensity during four early rehabilitation techniques in sedated and ventilated patients in ICU: a randomised cross-over trial. Crit Care. 2018; 22(1): 110. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5923017/

Mirzakhani H, Williams JN, Mello J, Joseph S, Meyer MJ, Waak K, et al. Muscle Weakness Predicts Pharyngeal Dysfunction and Symptomatic in Long-Term Ventilated Patients. Anesthesiology. 2013; 119(2): 389-97. Disponivel em: https://anesthesiology.pubs.asahq.org/article.aspx?articleid=1918264

Soares AR, Andrade ITNS, Reis GR, Cavalcanti ITN, Silveira JM, Rossone APF. Nível do lactato pré e pós estimulação elétrica neuromuscular em uti. Revista Brasileira de Saúde Funcional. 2017; 1(2): 20-31. Disponível em: http://www.seer-adventista.com.br/ojs/index.php/RBSF/article/download/925/737

Macchione MC. Avaliação da musculatura inspiratória e expiratória na doença pulmonar obstrutiva crônica leve e grave comparada aos indivíduos saudáveis. [Tese]. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2016.

Caruso P, Alburquerque ALP, Santana PV, Cardenas LZ, Ferreira JG, Prina E, et al. Métodos diagnósticos para avaliação da força muscular inspiratória e expiratória. J Bras Pneumol. 2015; 41(2): 110-23. Disponível em: https://www.jornaldepneumologia.com.br/detalhe_artigo.asp?id=2384

Duiverman ML, Huberts AS, Van Eykern A, Bladder G, Wijktra PJ. Reproducibility and Responsiveness of Non-invasive EMG Technique of the Respiratory Muscle in COPD Patients and in Healthy Subjects. J Appl. Physiol (1985). 2004; 96(5): 1723-29. Disponível em: https://journals.physiology.org/doi/full/10.1152/japplphysiol.00914.2003?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori%3Arid%3Acrossref.org&rfr_dat=cr_pub++0pubmed&


Texto completo: PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.